Sinopse:
Uma história sobre a relação entre um menino viciado em histórias da Segunda Guerra Mundial e um velho com um passado nazista.
Resenha:
Como um gatilho pronto pra disparar. É assim que a história vai se desenvolvendo. De forma incômoda e angustiante, podendo gerar gatilhos nos leitores mais sensíveis. Muitos temas delicados são abordados, mas alguns aparentemente são só uma tentativa para marcar uma sentença ou outra como frases de efeito.
Essa é uma daquelas histórias em que a escolha do narrador foi crucial pro seu sucesso (apesar de poder trazer muita confusão pro autor). Sem o narrador quase conivente e animado com todos os absurdos que vão se passando ao decorrer da trama, a história não teria o mesmo impacto. Impossível ler e não odiar o narrador por cada escolha de palavras que ele utiliza. Mas aqui o ódio é algo bom. É o que faz a história causar emoções tão intensas. Arrisco dizer que o narrador é o grande personagem dessa história, roubando a cena do nazi e do projeto de nazi. Os dois personagens principais poderiam ter sido mais bem trabalhados.
Eu gosto muito de histórias indigestas. Mas, apesar de ter gostado da trama, achei excessivamente longa, com muitas passagens que pouco ou nada contribuíram para o desenvolvimento da história e dos personagens principais. Se por um lado o narrador é o ponto alto, a construção dos personagens deixa um pouco a desejar. Tinha grande potencial para ser ainda mais indigesta.
O sistema de datas que é muito interessante só é usado no começo da história e depois se perde a importância cronológica dos acontecimentos quando as visitas de Todd ao velho deixam de ser tão constantes. Não dá pra entender o motivo dessa mudança sendo que a cronologia da narrativa se passa num período de quatro anos e seria interessante ter esse tempo marcado, como aconteceu no começo.
Parece que Stephen King teve uma boa ideia e começou a produzi-la, mas por algum motivo acabou se perdendo no caminho. Estender demais o que não precisava, dar importância pra detalhes irrelevantes e deixar um pouco de lado a construção dos dois personagens principais a partir de certo ponto da história fizeram a leitura ser mais cansativa e menos impactante do que poderia.
E o gatilho nunca é disparado. Fica a expectativa e a angústia durante algum tempo, mas que vai se perdendo no decorrer da narrativa por falta de profundidade e/ou objetividade.
Uma boa história que gera uma expectativa alta no começo, mas vai perdendo a potência do meio pro final. Mas ainda assim é uma boa história.
Nome: O Aluno Inteligente
Autor: Stephen King
Conto que integra a coletânea Quatro Estações
Editora: Suma
Tradutora: Andréa Costa
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