No começo parece que vai ser um livro fofinho, mas é um livro doloroso. A narrativa consegue nos transmitir as dores e angústias que assolam Maria Carmem. O livro é quase um pedido de socorro. Maria Carmem sofre e sonha em ser escritora. Sonha em ter seus pensamentos mostrados ao mundo. Poder ser ouvida de alguma forma.
Ela sofre bullying na escola e em casa a configuração familiar sofre uma mudança bem brusca para ela. Ela se sente bastante solitária, na escola ela não tem amigos e quando tenta fazer uma amizade, as coisas não dão muito certo. Em casa, ela também se sente solitária. Pode ser que em casa ela não seja tão solitária, mas como o livro é narrado do ponto de vista dela, é assim que ela descreve como se sente. Não temos como saber exatamente como é a convivência dela com os pais, exceto o que ela escreve nos momentos em que está sozinha.
O livro tem o nome deus escrito com letra minúscula, provavelmente, por conta dos questionamentos que Maria Carmem traz sobre deus, chegando a duvidar de sua existência. Me recordei de uma brincadeira que eu fazia bem parecida com a brincadeira que ela faz com deus para dormir em tanto tempo. No meu caso não era sobre dormir, mas sempre era sobre espera e demora.
Quem já passou por situações de bullying ou solidão, certamente vai se identificar com a protagonista. É bem triste ver uma criança falando sobre morte, mas acho que em casos extremos de não se sentir parte do mundo, isso deva ser bem comum.
Será que estamos escutando as crianças? Ouvindo sobre suas vivências e emoções? Não é porque alguém viveu menos que nós que sua vivência e emoções deva ser ignorada ou menosprezada. Deixar que a criança amadureça sozinha para aprender a lidar com as intempéries da vida e muito cruel com elas e pode causar traumas difíceis de serem reparados.
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