sexta-feira, 26 de abril de 2024

Interior

 Interior

Ontem, 22/04/24, estive em Araraquara, cidade que já almejei morar, mesmo que temporariamente. 
Andar por uma cidade com clima interiorano reativou algumas ideias sobre o preço que se paga de morar na região metropolitana de São Paulo. 
Diferente de outras ideias, não quero sair de onde vivo no momento. Mas que é um grande choque visitar outro lugar completamente diferente, conversar com as pessoas e perceber as diferenças sutis na vida das pessoas, não tenho como negar que é. 
A segurança em si não é um tópico tão preocupante para mim. O que eu vejo de segurança no interior é algo que me faz lembrar de outros tempos. Tempos que eu sentava na calçada pra conversar com amigos e ficar por horas conversando sentado no chão falando sobre qualquer coisa. Isso ainda acontece em cidades interioranas. Na região metropolitana de São Paulo, em poucos lugares, também acontece ainda. Eu não sei mensurar se a violência cresceu nos centros urbanos ou se por sempre estarmos portando celulares que são parte de nós, deixa a conveniência mais fácil pra quem quiser fazer um roubo de algo valoroso de forma fácil. Na época que eu sentava na calçada, não tínhamos celulares, qualquer pessoa que resolvesse nos assaltar iria sair com nada mais do que a roupa que vestíamos e no máximo algum trocado que tivéssemos no bolso. 
Eu gosto desse clima tranquilo de não me preocupar com assaltos ou só tenho um saudosismo de tempos que vivi e, talvez, não voltem mais? Não tenho a resposta pra isso. 
Gosto do que centros metropolitanos tem a me oferecer na questão da facilidade e diversidade das coisas. Mas eu sou um neurótico obsessivo. Gosto ainda mais de padrões. Sentar no mesmo local, ir à lugares familiares que me geram conforto de algum modo. E no final do dia, por mais agitado que possa ter sido o dia, eu só quero um lugar tranquilo pra descansar (tranquilo mesmo dessa vez), o que nem sempre a região metropolitana oferece. 
Conversei com pessoas que saíram de SP para ir pra Araraquara e o único ponto que reclamaram é o mesmo ponto que mais me preocupa. Deixar as amizades em outra cidade e não conseguir fazer novos laços tão facilmente no novo lugar. Falaram que as pessoas de lá são mais fechadas e menos acessíveis, o que contradiz um pouco a ideia que os vizinhos se juntam pra sentar nas calçadas aos finais de semana. Ou não, porque conhecidos não necessariamente são amigos. 
Eu não sei porque comecei a escrever sobre isso. Talvez, esteja confuso com meu lugar no mundo. Apesar de achar que meu tempo na metrópole não tenha chegado ao fim, sinto que não me satisfaço mais como antes com a cidade grande. Tenho gostado cada vez mais de tranquilidade pra além das noites em casa. 
Entre tantas opções que a metrópole oferece, eu sempre acabo nos mesmos lugares, fazendo as mesmas coisas. Será que eu enjoaria de viver com menos possibilidades só por não ter outras opções? Penso que eu não enjoaria de ter só a praia como opção de lazer, do mesmo jeito que não enjoei de ter o mesmo bar como lazer durante tantos anos. 

Comecei a escrever o texto na terça, hoje é sexta e não sei se vou concluir. Fiquei pensando se deveria fazer revisão e colocar as ideias de forma coesa, mas não é assim que a cabeça funciona. Só fui escrevendo e escrevendo sem me preocupar com nada. Devaneios, como o título do blog sugere. 
Já perdi completamente a linha de raciocínio que tinha quando comecei escrever e não vou mais me prolongar nesse devaneio, Araraquara já tá distante e não consigo mais pensar com tanta clareza sobre as diferenças. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se deus me chamar não vou - Mariana Salomão Carrara

O livro é narrado por uma criança, Maria Carmem, de 11 anos. Ela tem o sonho de ser escritora e escreve em seu diário acontecime...